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22/05/2024

Da planta ao óleo essencial

Princípios de extração das moléculas aromáticas

Prensagem mecânica a frio

A prensagem mecânica a frio é o método mais simples, porém, infelizmente, o mais limitado. Consiste em quebrar mecanicamente as “bolsas com essências” que existem em cascas de frutas cítricas (do gênero Citrus sp.) para recolher sua essência.

O produto obtido é chamado essência em vez de óleo essencial, porque nenhuma modificação química acarretada por solventes ou vapor de água acorre. Existe, portanto uma paridade química entre a essência da fruta e aquela obtida da prensagem das cascas.

Destilação por arraste a vapor

A destilação com vapor de água, método conhecido desde a alta Antiguidade, transmitido pelos árabes e aperfeiçoado na cidade de Grasse, França, é um processo de arraste de substâncias aromáticas por meio de vapor de água.


Destilação de um óleo essencial

Já o processo, relativamente recente, intitulado destilação por arraste a vapor de água acarreta uma melhora definitiva para a qualidade dos produtos obtidos, minimizando alterações hidrolíticas, particularmente dos ésteres, em comparação com o método tradicional de destilação.

O processo de destilação vem sendo aperfeiçoado desde os primeiros séculos de nossa era. O acréscimo do chapéu a dorna, do bico de papagaio e mesmo de uma dorna que separa o material vegetal do contato com a água são exemplos de aperfeiçoamentos.

O aparelho é constituído de uma caldeira de vapor, separada do alambique, e um refrigerador ( também chamado de condensador), onde circula água fria e dentro do qual se condensam os vapores. A matéria vegetal é colocada no aparelho e, sob a ação do oxigênio, da água, do vapor de água e da temperatura, suas moléculas aromáticas sofrem diversas modificações ( oxidações, hidrólises, reestruturações), que podem ser mínimas, em alguns casos, e maiores, em outros, mas sempre suficientes para justificar, ao final do processo, a mudança de nomenclatura – de essência para óleo essencial.

À saída do condensador, a água destilada e o óleo essencial, que é mais leve do que ela, separam-se. A maioria dos óleos essenciais é obtida pela destilação com vapor de água sem descalcificante químico e sob baixa pressão.

O processo consiste em fazer circular o vapor de água por um tanque (também chamado de dorna) preenchido com plantas aromáticas. Na saída desse tanque e sob baixa pressão, o vapor de água se torna enriquecido de óleo essencial e circula dentro de uma serpentina, onde se condensa.

À saída do condensador, o vaso separador recolhe a água e o óleo essencial. A diferença de densidade entre ambos os líquidos permite que se separem facilmente.

A destilação é um processo delicado que exige experiência e vigilância constante. Para se obter um óleo essencial de primeira qualidade, os critérios a seguir devem ser respeitados.

  • O alambique deve ser de aço inoxidável porque tanto o cobre quanto o ferro podem gerar óxidos.
  • A destilação deve se efetuar a baixa pressão, entre 0,05 bar e 0,10 bar, uma vez que um excesso de oxidação pode ser produzido sob alta pressão. Por exemplo: a cor do óleo essencial de tomilho em plena florada varia do vermelho-claro ao vermelho-marrom, à medida que se eleva a pressão na destilação.
  • A duração da destilação deve ser prolongada de modo a permitir a coleta da totalidade das moléculas aromáticas, ou seja, o conjunto das frações ditas de topo, de meio e de fundo. Por exemplo: três quartos do óleo essencial de tomilho são extraídos nos primeiros 30 minutos, mas são necessários de 60 a 80 minutos suplementares para se extrair o restante.

Essa é a razão pela qual a maior parte dos operadores destilam à alta pressão e cessam o processo, infelizmente, depois de 25 a 30 minutos mais rentáveis. Os óleos essenciais são também frequentemente retificados; com isso, concentram os compostos mais voláteis. A retificação produz óleos essenciais descoloridos com um odor menos fino, propriedades terapêuticas menores e efeitos indesejados elevados.

Assim um óleo de eucalipto retificado poderá conter até 80% de 1,8-cineol, mas será menos expectorante, menos anti-infeccioso e mais irritante para os brônquios do que um óleo essencial de eucalipto “completo”, que contenha apenas 60% daquela molécula.

 

  • A água empregada deverá vir de fonte não calcária ou pouco calcária para servir o emprego de descalcificantes químicos.
  • Após destilação, os óleos essenciais deverão ser filtrados e, então, estocados em tanques herméticos, quimicamente inalteráveis, e colocados num local fresco. O fracionamento do estoque deve ser feito unicamente em frasco de vidro âmbar ou azul-cobalto para assegurar a conservação face à incidência de luz e contato com oxigênio.

O óleo essencial deve apresentar as características a seguir.

  • Ser 100% natural, ou seja, não deve ser desnaturado, quer com moléculas de síntese parcial ou de de síntese total, quer com agentes químicos emulsificantes ou óleos minerais.
  • Ser 100% puro, ou seja, livre de mistura com outros óleos essenciais próximos, óleos vegetais, álcool, terebintina, etc.
  • Ser 100% integral, ou seja, não deve ter sido cortado, descolorido, desterpenizado, retificado, superoxidado, peroxidado, etc.

Índices de rendimentos de óleo essencial na destilação

Os índices de rendimentos de um óleo essencial são bastante variáveis de uma espécie para outra. O estudo dessas diferenças é útil para provar, de novo e se ainda for preciso, que os produtos aromáticos em circulação no mercado não são todos de mesma qualidade.

quanto maiores forem as quantidades de matéria vegetal requeridas, maior será o preço do óleo, evidentemente. A lista a seguir apresenta a massa média de matéria vegetal necessária para a obtenção de 1 kg de óleo essencial (o equivalente a cerca de 1 L) de algumas plantas.

  • Melissa: de 4.000 a 12.000 kg (5 a 10 toneladas) da erva.
  • Rosa-de-damasco: de 3.500 a 4.000 kg de pétalas (equivalente a 1 hectare de roseiras!).
  • Lavanda-verdadeira: 150 kg de sumidades floridas.
  • Lavandim-grosso: 50 kg de sumidades floridas.
  • Anis-estrelado-chinês: 20 kg de frutos.
  • Cravo-da-índia: 6 a 7 kg de botões florais.

rendimento também varia, conforme se apresenta a seguir.

  • De um ano para outro para uma mesma planta. Emprestando termos da enologia, podemos frequentemente falar de safras (millésime, em francês) e de denominação de origem (cru em francês) para os óleos essenciais.
  • De uma estação para outra. A primavera favorece a síntese de álcoois terpênicos (linalol, geraniol), ao passo que o outono implica mais fenóis aromáticos (timol, carvacrol).
  • De uma hora para outra. Algumas plantas aromáticas devem ser colhidas e destiladas pela manhã, enquanto outras no final do dia.
  • De uma região para outra. Qualidade e quantidade de sol, altitude, espécies vegetais vizinhas (simbiose com outras plantas selvagens no biótopo) também interferem no rendimento.

Outros processos de extração

Além da extração mecânica a frio da casca de frutas do gênero Citrus e da destilação por arraste a vapor de água, existem outros processos de extração. Mas eles não correspondem às especificações que uma aromaterapia médico-científica requer.

Por isso, a definição desses outros métodos será breve. Esses produtos aromáticos são de interesse apenas para indústrias cosméticas, agroalimentares e para a perfumaria, e não podem ser denominados óleos essenciais.

  1. enfloragem (ou enfleurage, em francês) utiliza geralmente flores nas quais a essência esteja presente em muito pouca quantidade. As flores são depositadas em cima de material gorduroso que, por afinidade, absorve a essência até ficar saturado dela. A técnica fornece, assim, os chamados concretos e absolutos de flores, que são empregados em perfumaria e cosmetologia.
  2. extração com CO2 supercrítico existe apenas para alguns extratos aromáticos e requer uma aparelhagem bastante cara. A matéria vegetal (habitualmente, flores) fica numa atmosfera de CO2 cuja pressão, progressivamente elevada, permite a ruptura das estruturas glandulares que contêm a essência. Esta é recuperada no estado sólido com fragrância idêntica à da flor original.
  3. hidrodifusão extrai a essência do vegetal fazendo o vapor passar de cima para baixo no tanque. Esse processo mais rápido poderia aumentar a qualidade do extrato aromático por sua curta duração, menos perturbadora para a essência. O inconveniente é arrastar, por simples ação da gravidade, substâncias não voláteis e não aromáticas.

 

Com base nesses conhecimentos aqui na Viver na Colônia prezamos e seguimos de forma a garantir a qualidade dos nossos produtos e de nossos fornecedores para melhor atender os nossos clientes amigos.

Fonte de conhecimento “O Grande Manual da Aromaterapia de Dominique Baudoux;